Reviewer de Cara de Barro: o filme da DC que eu precisava ver



 
Cara de Barro é o filme que eu precisava ver do universo dos heróis. Eu sei que isso parece um baita clickbait, mas na verdade é o sentimento de eu estar podendo assistir um filme para maiores de 18 anos sem aquelas piadinhas sexuais ou violência gratuita.

Dito isso, vamos começar falando como o Matt é um ator bem-sucedido e como ele destrói toda essa carreira com um ato idiota. Mas tão idiota que eu sei que a maioria de vocês já fizeram, e é se envolver com mulher casada. Então para de falar que ele é seu, marido dos outros não é presente de Deus, talarica!

Mas o pior não foi nem se envolver com a mulher casada; o pior foi que o amigo avisou para ele: “Ela é casada”. E ele meteu aquele singelo: “Hoje não”. Mas o problema é que a casada era mulher logo de quem? De um chefão da máfia. Então, como diria Cleber Machado, hoje sim.

E aí, vacilou com a máfia, você já sabe. Então ele já teve logo a cara toda rasgada, parecia até o Coringa com um sorrisão. Mas não só isso: começou-se também a jornada de destruição da imagem do Matt. Até porque um chefão da máfia não ia deixar barato um cara dormir com a mulher dele, né?

Bom, eu fiz esse resumo porque isso me atraiu no filme: é algo crível de acontecer, bem pé no chão e que traz uma imersão verdadeira à narrativa.

Mas é claro que não é só isso que me deixou imerso nesse filme. Temos uma trilha sonora absurda, que dá vontade de dançar na hora que tem que dançar e que te traz um desespero nas cenas de horror. Falando em horror, se você estiver inseguro para assistir o filme por ser um filme de terror, fica tranquilo porque ele é um body horror, ou seja, um terror corporal. O que é bem tranquilo com relação a sustos, para você que é um moleque medroso.

Inclusive, Gotham não está sombria como estamos acostumados: temos uma versão cinza da cidade que vai se tornando sombria conforme o Matt vai se tornando o Cara de Barro. E por estarmos assistindo pela ótica do Matt, parece que ele não está tomando atitudes tão ruins assim contra os corruptos e criminosos de Gotham. O que traz de volta aquele pensamento de que o Batman deveria ser mais duro nessa cidade — isso, é claro, até a hora que ele veste de vez a capa do vilão Cara de Barro, que por tabela responde ao público por que o Batman tem um código moral em uma cidade tão imoral.

E é bom ver a cidade tão viva criando seus próprios monstros, trazendo de volta aquele pensamento: “O problema de Gotham é Gotham”. Já que o próprio Matt se tornou uma pessoa bem-sucedida e vitoriosa quando resolveu sair de Gotham para Coast City, mas no momento exato em que ele retorna a Gotham City, vê toda a sua carreira e vida ruírem.

Claro que também tem que destacar aqui a atuação do Tom Rhys Harries, que não só entregou um excelente Cara de Barro, como também entregou um bom Matt Hagen, conseguindo transmitir muito bem as nuances emocionais do personagem, fazendo tanto as cenas de body horror como as de ação terem o peso necessário para cada momento.

Ok, mas o ponto alto para mim foram os efeitos práticos nas cenas de derretimento do rosto do Matt. Dá aquela sensação de: “Cara, isso é real, isso tá acontecendo!”. Eu estava empolgado com esses momentos desde que vi no trailer, mas ter assistido na telona fez muita diferença. E seria bom a DC ter esse cuidado com todas as suas obras no futuro, para não termos aparecendo dois sóis como acontece na luta do Superman ou um voo tosco de IA como tem no final de Lanternas.

Só que nem tudo são flores: Cara de Barro mostrou um CGI bem abaixo no ato final do filme. Algumas cenas, como o derretimento final, pareciam até um CGI saído direto do PS2. Mas eu vou dar aqui o meu braço a torcer, já que liquidificar um ser humano não deve ser uma tarefa muito fácil. E por se tratar só do final do filme, não foi algo que me incomodou a ponto de estragar a experiência completa.

Dito isso, minha nota para o filme é um 4,5 de 5. De longe um dos melhores filmes sobre super-heróis que eu vi nos últimos anos. Tem toda uma pegada diferente, não tem tanto combate assim, mas a gente está na cidade de um super-herói, vendo um vilão de super-herói e a origem dele, como ele se tornou esse grande vilão. Como a cidade respira sem um super-herói, como esse universo com tantos super-heróis já apresentados está agindo sem nenhum deles estar em cena. E também o fato de um super-ser estar andando por aí e lidando com seres humanos normais, sem ninguém com superpoderes para parar ele. Isso é muito bom, inclusive algo que deveria ser mais explorado por outros filmes e séries.

No fim das contas, eu tenho muito interesse em ver os super-seres no seu cotidiano, como é a sua relação com o mundo, o dia a dia — seja tendo algo que os leva para o embate ou até um dia do Superman no psicólogo. Quadrinhos trabalham esse tipo de situação, mas filmes e séries tendem a não trabalhar. Eu já sou uma pessoa que gostaria de receber mais esse tipo de conteúdo.

Então, como Cara de Barro passa boa parte do filme entregando mais a vida do Matt e as consequências que o levaram a isso, foi um filme muito bom. E quando ele vai para o embate e tem suas cenas de ação, também é fantástico.

Aconselho todos vocês a irem ao cinema assistir a esse filme porque está fantástico — claro, mantendo as suas expectativas alinhadas: não é um filme de ação convencional, e sim a vivência de um filme de terror.



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